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domingo, 17 de junho de 2018

Após sair da faculdade, recém-formados enfrentam desemprego e subemprego

Durante o ensino superior, conciliar estágio e estudos, tirar boas notas, entregar o TCC parecem desafios muito grandes. Só que, depois da formatura, aparece um obstáculo muito maior (e que se agiganta com a crise e o desemprego): ingressar no mercado de trabalho

Com diploma, mas sem emprego
"A empregabilidade para quem tem ensino superior não diminuiu, mas os graduados estão pegando posições que não aceitariam em momentos de pleno emprego, estão indo para o subemprego" Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp

Durante o ensino superior, conciliar estágio e estudos, tirar boas notas, entregar o TCC parecem desafios muito grandes. Só que, depois da formatura, aparece um obstáculo muito maior (e que se agiganta com a crise e o desemprego): ingressar no mercado de trabalho

Escolher um curso, passar no vestibular, arrumar dinheiro (para se manter durante a graduação, pagar a mensalidade ou os dois), estudar, participar de projetos de pesquisa e extensão, integrar empresa júnior, estagiar, entregar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e, depois dessa maratona toda, finalmente pegar o diploma. A partir daí, a expectativa de conseguir emprego é grande. Contudo, apenas o título de bacharelado, licenciatura ou tecnólogo não é suficiente para garantir inserção no mercado de trabalho. Quem está saindo dos bancos das faculdades tem pouca (às vezes, nenhuma) experiência na área pretendida, ficando atrás na corrida por uma vaga. Complicam ainda mais a situação a crise econômica e o aumento do desemprego. Não à toa a empregabilidade é a maior preocupação da comunidade acadêmica brasileira. A conclusão é de estudo elaborado pelo Instituto Ipsos para o Grupo Santander, ouvindo mais de 9 mil estudantes e professores em 19 países, cerca de 850 no Brasil.

Para 54% dos entrevistados, é preciso melhorar a inserção dos recém-formados no mercado de trabalho, e 63% acreditam que as universidades não conseguem munir os alunos das competências exigidas pelas empresas. Anderson Pereira, diretor da Universia (rede do Santander Universidades que reúne cerca de 1.300 instituições acadêmicas) no Brasil, acredita que os empregadores brasileiros não têm resistência a recém-formados. O que acontece é que um currículo mais cheio ainda faz diferença. “Para vagas básicas, não se espera experiência. Mas é verdade, sim, que quem tem alguma experiência sai à frente, mesmo que não seja na área da posição ofertada”, diz. “Há, porém, maturidade do empresariado brasileiro no sentido de entender que o aluno que passa por uma universidade traz retorno”, completa. Tanto é que pessoas com ensino superior chegam a ter salário 38,19% maior em comparação com nível médio, segundo pesquisa do site de empregos Catho.

O levantamento também concluiu que ter um diploma de graduação é vantagem comparativa para concorrer a posições que não exigem nível superior. E, durante a recessão, são justamente essas vagas que têm sido ocupadas por boa parte dos egressos das faculdades. A análise é de Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, entidade que congrega mantenedoras no país. “As boas posições estão mais escassas. A empregabilidade para quem tem ensino superior não diminuiu, mas os graduados estão pegando posições que não aceitariam em momentos de pleno emprego, estão indo para o subemprego”, comenta. “Você subaproveita uma mão de obra qualificada. Um engenheiro de produção que começa a trabalhar como assistente administrativo se pergunta: para que fiz a faculdade, então?” O índice de empregabilidade do primeiro trimestre do ano elaborado pela entidade demonstrou que o saldo de empregos foi positivo (em cerca de 100 mil postos de trabalho) para quem tem graduação.

A conclusão de Rodrigo Capelato é de que a situação é, sim, complicada, mas profissionais com ensino superior sofrem menos o impacto da recessão. “O desemprego é pior para quem não tem diploma, que é uma salvaguarda neste momento de crise”, aponta. Um grande problema é o desencontro entre a quantidade de vagas ofertadas em cada curso no ensino superior e o número de oportunidades no mercado de trabalho: se as instituições baseiam a oferta na simples procura dos alunos, o resultado é um grande grupo de pessoas com diploma entrando em áreas saturadas ou com pouco emprego. “As instituições de ensino privadas, responsáveis por formar a maior parte dos graduados do país, farão o que a demanda quer. Para haver mudança nesse sentido, seria necessária política de estado, para entender em que áreas o país precisa de mais gente”, sugere.

Acompanhamento
“O índice de empregabilidade dos egressos é um indicador de sucesso da universidade, pois mede a capacidade de o mercado absorver e  ver valor naquela mão de obra”, acredita Anderson Pereira, da Universia. Ele defende que as instituições precisam acompanhar o estudante também após a formatura, funcionando como plataforma de apoio permanente. Walter Paulo Filho, diretor-geral das Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac), tem investido nisso. “A verdadeira educação superior vai além de conferir um diploma, tem caráter de inserção. Nós temos um setor de acompanhamento de egressos e empregabilidade, fazemos contato com todos os alunos após a formatura e continuamos em contato até ter feedback positivo”, conta.

Em baixa
A única área analisada pelo índice do Semesp que não teve saldo positivo de empregos foi a de engenharias, sinal de que os setores de infraestrutura e indústria ainda precisam se recuperar da crise. “Algumas áreas que formaram muita gente nos últimos anos estão em situação mais crítica. No caso da engenharia, além disso, há o problema da crise das empreiteiras, da indústria... As engenharias civil, de produção, mecânica e química perderam bastante em número de vagas”, afirma Rodrigo Capelato. Economista pós-graduado em tecnologia da informação (TI), ele cita ainda o curso superior em logística como outro prejudicado. Egressos de cursos de grau tecnológo também costumam ter dificuldade para se inserir no mercado, porque existe preconceito contra esse tipo de formação. “O mercado não compreende uma série de carreiras de grau tecnológico que, no mundo inteiro, estão em alta. São formações com duração um pouco menor, mas bastante foco no mercado de trabalho”, esclarece.

Em alta
Para graduados em algumas áreas, o cenário está melhor, mas não porque o setor ande bem. “A única das carreiras que conseguiu se safar em termos de volume de emprego é administração, porque é um ramo em que os recém-formados têm ido para vagas que, geralmente, não eram ocupadas por alguém com nível superior, como auxiliar de escritório ou de administração.” Fenômeno semelhante se passa no direito. “Muitos ocupam funções de auxiliar de serviços jurídicos e despachante de fórum, que poderiam ser executadas por alguém de nível médio”, afirma. Quem se forma em cursos de saúde (como medicina, enfermagem, nutrição e fisioterapia) costuma conseguir emprego com mais tranquilidade. “É uma área que sempre emprega”, explica. A psicologia também teria ganhado espaço. “Está se tornando mais popular a procura por tratamento clínico, com planos de saúde aceitando e mais pessoas querendo se entender. Na outra ponta, as empresas têm procurado psicólogos organizacionais”, informa. Assim como a saúde, a educação continua contratando, mas não necessariamente com bons salários. “Os professores, pessoal das licenciaturas, não estão sofrendo muito com o desemprego porque há menos gente querendo trabalhar com isso, já que a carreira é muito desvalorizada e o mercado é ruim.” Já a tecnologia da informação é a única área citada pelo diretor do Semesp que, de fato, está crescendo. “Os graduados nesse curso têm boa entrada no mercado, que está aquecido, principalmente por causa dos aplicativos”.


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