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domingo, 10 de junho de 2018

Sol Nascente: urbanização é entregue, mas problemas continuam

Foto: Jéssica Antunes/Jornal de Brasília

Ao lado do asfalto novo, pedestres sofrem com calçadas esburacadas. Comunidade diz que governo "esqueceu" algumas necessidades.


Após três anos de obras, a população Sol Nascente começou a receber a infraestrutura prometida para a área que já foi a maior ocupação irregular da América Latina. Ocorreu neste domingo (10), a solenidade de entrega da primeira parte de intervenções de drenagem e pavimentação feitas por R$ 58,8 milhões. Apesar da satisfação em ver a região ganhar dignidade com o processo de urbanização, a comunidade acusa “esquecimentos” do governo.
As obras de infraestrutura entregues são do Trecho 1, onde uma cratera chegou a engolir carros há sete meses. A área é de 240 hectares, equivalentes a 336 campos de futebol. Ali, as intervenções tiveram início em fevereiro de 2015, com investimento da Caixa Econômica Federal e de contrapartida do Governo de Brasília.
Segundo informações oficiais, foram construídos 25,2 quilômetros de redes de drenagem, com três lagoas de retenção, e pavimentação de 304,9 mil metros quadrados de vias, correspondentes a 44 quilômetros de comprimento por sete metros de largura. Ao todo, 243 ruas foram asfaltadas.
Durante a solenidade de entrega, ocorrida próximo à Feira do Produtor, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) falou em realização. “É uma emoção muito grande porque estamos transformando a vida das pessoas. Vim aqui muitas vezes e isso aqui era barro, poeira e lama. Hoje a gente vê urbanização, com asfalto, redes de água potável, esgoto e águas pluviais. Vale a pena enfrentar todos os desafios para governar o DF”, afirmou.
Em processo de urbanização, 243 ruas foram asfaltadas. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília
Pode melhorar
A satisfação dos moradores é inegável. Ter esgoto e asfalto era sonho de muitos que vivem ali. Maria de Fátima, doméstica de 46 anos, diz que não pensou que chegaria este momento, mas confessa que ainda tem o pé atrás. “Espero que na primeira chuva não vá tudo por água abaixo”, diz.
Ela mora com os três filhos na região há 20 anos. “Não podemos reclamar porque finalmente as obras vieram, mas parece que o governo esqueceu de algumas coisas. Para quem anda a pé a situação continua difícil”, afirma.
As obras em outros dois trechos ainda estão em andamento, mas na área em que o governo solenemente inaugurou neste domingo tem pegadinhas para o pedestre. As calçadas sem padrão e esburacadas ao lado do asfalto recém-colocado fazem a população andar em zigue-zague. “Levanta muita poeira. Podiam ter aproveitado e resolvido esse problema, mas agora devem gastar mais. Parece que esqueceram de uma parte”, considera a cozinheira Terezinha Rodrigues, 60 anos.
“O negócio era feio. Está bem melhor agora. A gente paga tanto imposto e só pode esperar que isso retorne de alguma forma. Um governo não pode ter apenas palavra, tem que ter atitude. E a melhor atitude é entregar um serviço completo”, acredita a mulher.
Terezinha Rodrigues reclama de calçada esburacada às margens do novo asfalto. Foto: Jéssica Antunes/Jornal de Brasília

Para o feirante Jucelino Pereira, 40 anos, além da calçada, falta sinalização e segurança. “Está melhor, mas pode melhorar. Poderiam ter feito o canteiro central porque, com a terra, vamos ter problema na seca e na chuva”, opina.
Evolução 
A comunidade do Sol Nascente fica a 35 quilômetros da Praça dos Três Poderes. No papel, o Setor Habitacional foi criado em 2008, mas o surgimento ocorreu pelo menos uma década antes. A ocupação irregular de terras associada à ação de grileiros tornou, em 2013, a maior favela da América Latina. Em número de habitantes, região na capital do país estava a frente da famosa Rocinha, no Rio de Janeiro.
O projeto de urbanização da área foi mantido, mas modificado e adequado diante do crescimento populacional. Hoje, estima-se que 100 mil pessoas morem ali. Para as obras de regularização, o Sol Nascente foi dividido em três trechos. As intervenções totalizam investimento de R$ 220 milhões e a promessa é que tudo seja concluído até o fim do ano.
No Trecho 2, são 30,3 quilômetros de redes de drenagem, com três lagoas de retenção, e 493,5 mil metros quadrados de pavimentação. Isso corresponde a 70 quilômetros de via com 7 metros de largura. Segundo o governo, os serviços de drenagem estão 85% concluídos, e a pavimentação 48%. Ao custo de R$ 95,5 milhões, a previsão de entrega é no início do segundo semestre.
No Trecho 3, serão executados 21,3 quilômetros de redes de drenagem, com três lagoas de retenção e 450,5 mil metros quadrados de pavimentação. Foram executados 45% das obras de drenagem e a pavimentação ainda não foi iniciada. A obra custará R$ 66 milhões, com previsão de conclusão em dezembro de 2018.
Foto: Josemar Gonçalves/CEDOC Jornal de Brasília
Fonte: Jornal de Brasília

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