Marcadores

Pesquisar na internet

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Deputado distrital é o cargo mais concorrido das eleições de 2018

De novo, o mandato de deputado na Câmara Legislativa é o mais disputado das eleições no Brasil, com uma média de 40 candidatos por vaga


Em 2014, as vagas de deputado na Câmara Legislativa já eram as mais cobiçadas do Brasil: salário acima de R$ 25 mil e muitos benefícios(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

O cargo de deputado distrital é o mais concorrido das eleições de 2018. Com 960 postulantes para 24 cadeiras, a concorrência chega a 40 pessoas por vaga. Os dados são das estatísticas de pedido de registro de candidatura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, o Distrito Federal também se destaca como uma das unidades da Federação com menor relação entre eleitores e candidatos: cada postulante representa 1,7 mil votantes.

A capital federal também é a sexta unidade federativa com maior número de candidatos, perdendo apenas para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. E tem mais postulantes do que unidades da federação com população muito maior, como Goiás, Santa Catarina, Maranhão e Espírito Santo. Ao todo, 1,2 mil pessoas pediram registro na Corte Eleitoral. O órgão tem até 17 de setembro para avaliar todas as solicitações.

Apesar de ser o cargo mais concorrido de 2018, o número de candidatos a distrital diminuiu em relação a 2014. Há quatro anos, o registro mostrava mil postulantes — 42,7 candidatos por vaga — também a maior concorrência da época. Especialistas ouvidos pelo Correio divergiram em análises para explicar o porquê do alto número da concorrência na capital federal.

Para o cientista político Wladimir Gramacho, há duas hipóteses. A primeira é de que a fragilidade do governo distrital pode ter estimulado um número maior de candidaturas. Por outro lado, também existe a questão dos benefícios na Casa: o salário que passa dos R$ 25 mil mensais e os benefícios mensais incluem um polpudo auxílio-alimentação de R$ 1.072, 75 dias de férias por ano, mais de R$ 180 mil de verba de gabinete e mais de R$ 25 mil disponíveis para indenizar todo tipo de gasto. 

“Sempre vemos candidatos com pouquíssimos votos no fim das eleições. É um excelente assunto para retomar no fim do processo: ver quem trabalhou na campanha e quem nem se moveu. O que o eleitor no DF não pode reclamar é de marasmo”, observa. Para ele, a possibilidade de licença do serviço público pode até ser uma tentativa de explicação. “Mas não cabe lançar suspeita sobre os candidatos”, pondera.

A Lei nº 8.112/90, do Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, garante que servidores públicos que entrarem na política podem tirar uma licença do trabalho para se dedicar à candidatura. Nos dados do TSE, os números revelam que servidores públicos aposentados, estaduais e federais somam 205 postulantes — o que corresponde a 16,7% do total de candidatos do DF. É a ocupação mais comum entre os postulantes, seguida de empresários, com 124 (10,1%) e advogados, com 88 (7,1%).

Baixa representatividade


De acordo com Paulo Calmon, professor e cientista político da Universidade de Brasília (UnB), também há duas possibilidades  para a explicação. Em primeiro lugar, existe uma baixa representatividade na Câmara Legislativa. Ou seja, são poucas cadeiras, se comparado ao número de outros estados, por exemplo, em São Paulo. No estado paulista, a Assembleia Legislativa é composta por 94 deputados estaduais. “Outras câmaras são mais equipadas, como Rio de Janeiro e São Paulo. Eles têm 70 a 80 políticos”, avaliou. “Aqui, nós temos a sobreposição do trabalho que, em outros estados, é dividido em dois: a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Vereadores. Ou seja, ficamos com o trabalho desses dois em um só lugar, e isso desperta uma demanda”, disse.

A outra hipótese é que, por ser a capital do país, há um grande envolvimento da população na política e nos órgãos públicos. O cientista político José Matias-Pereira concorda com a tese. “Temos uma eleição atípica. As pessoas estão desencantadas com a política. Aí surgem candidaturas para tentar mudar. E temos 35 partidos que também querem se consolidar”, completou o especialista.

* Estagiário sob a supervisão de Leonardo Meireles

A proporção de cidadão por postulante

Unidade    Eleitores    Candidatos    Eleitor  por candidato

RR               331.489        658                 504
AP               512.110         655                 782
AC              547.680         570                 961
DF               2.084.357     1.225               1.702
RO              1.175.733      592                  1.986
AM              2.428.100     829                  2.929
TO               1.039.439     344                 3.022
SE                1.577.060     500                  3.154
ES                2.754.727     816                 3.376
RJ                12.406.391    3.565              3.480
MS              1.877.982       524                 3.584
GO               4.454.496     1.134               3.928
MT               2.330.280      527                 4.422
PB                 2.867.658     606                 4.732
RN                2.373.620     489                 4.854
AL                 2.187.966    417                  5.247
PI                  2.370.894     419                 5.658
MA               4.537.237     741                 6.123
PE                 6.570.070    1.062              6.187
PA                  5.499.282    875                6.285
RS                  8.354.732    1.314            6.358
PR                 7.971.083    1.244             6.408
SC                 5.070.212     765              6.628
MG              15.700.963     2.277          6.895
CE                  6.344.482    900            7.049
BA                10.393.168    1.209         8.596
SP                 33.040.405    3.842          8.600

Fonte: Correio

Nenhum comentário:

Postar um comentário